Fibra ótica levando informação que poderia salvar

Por que gostamos de falar tanto de tecnologias? Imagina se o Brasil fosse um Japão, Estados Unidos. Brasileiro é chegado em falar de tecnologia, estando perto ou longe da realidade dela.

Pois é, mas a maioria dessas novidades pra chegar (quando chegam) aqui, leva tempo e uma grana preta, e isso da minoria da população. Todos opinam, discutem sobre as novidades, é importante, afinal somos consumidores e futuros usuários/clientes, muitas das coisas lançadas hoje, estarão em nossas mãos um dia, mesmo que leve tempo, tecnologia sempre fará parte do nosso dia-a-dia.

Pegue a Web 2.0 como exemplo, está aí, mas será mesmo uma grande revolução? Do jeito que estão falando, será maior do que a revolução industrial. Calma gente, é só mais um avanço na internet, dentre as mais importantes até hoje, mas não mudará tanta coisa assim, a não ser, e muito, pro lado comercial.

Toda essa realidade virtual, com toneladas de informações em conjunto, nunca será mais importante do que a própria realidade, um aperto de mão, um beijo babado, uma imagem ao vivo, diversão vívida.

Daqui a pouco, daremos mais valor pra essa realidade do que pra qual realmente importa, porque tem gente lá fora que espera e precisa de uma realidade melhor.
O que importa acesso à informação e conhecimento pra alguém que precise no momento apenas de um simples prato de comida pra sobreviver?

Essa realidade não pode ser convertida em bits, mas é como um código de programa aonde você pode escrever, estudar, corrigir, testar, compilar, criando uma versão cada vez melhor. Temos essa vantagem, diferente de outros seres que vivem e agem apenas por instinto.

A Web 2.0 vai salvar o mundo? Não, mas as pessoas também esperam isso dos governos, que tire proveito desse desenvolvimento em prol do seu, não apenas para o futuro já rico da internet.

A internet ajudará de alguma forma? Só espero que seja tão importante para as pessoas quanto foi pra guerra.

6 Comentários

  1. Olá Ricardo!

    Teu texto ficou tão bom, que está até difícil comentar.

    É difícil achar um equilíbrio entre as vantagens da internet e como uma relação muito mal construída pode acabar prejudicando uma vida produtiva e feliz.

    Você tem razão: brasileiro adoro tecnologia! É só ver a quantidade de brasileiros que tem e trocam de celular, que usam internet, a quantidade de blogs brazucas (isso sem falar em fenômenos como o Orkut). Por outro lado, vivemos muito próximo da miséria. Em um pais onde a casa não tem geladeira, mas tem televisão.

    Afinal, como tornar a nossa relação com a tecnologia em algo positivo?
    Pensa, hoje nós temos tecidos muito melhores que há 50 anos, e as roupas continuam sendo feitas como há 50 anos: sem levar em consideração a praticidade, o conforto, os diversos formatos de corpo e como certos cortes podem ser mais apropriados para certas pessoas. Sim, eu considero que beleza também faz parte da funcionalidade. Mas a moda, ao invés de olhar para as possibilidades da tecnologia, só olha para o passado encontrando “tendencias” no baú da vovó. Nada contra isso, mas desde que seja feito com inteligência. Não é o que vejo.

    Vejo que hoje tecnologia é mais uma desculpa para fazer com que consumamos cada vez mais. Ao invés de produzir produtos duráveis, qualquer detalhe vira desculpa “tecnológica” para vender produtos e criar uma “elite” de produtos. O celular que uso agora tem apenas há dois anos, e quando olho para ele é como se ele tivesse pelo menos 10. Tem algo de muito errado com o que estamos fazendo com a tecnologia que produzimos.

    “A escolha é clara: ou não fazemos nada e permitimos que um futuro miserável e provavelmente catastrófico nos alcançe, ou usamos nosso conhecimento sobre o comportamento humano para criar um ambiente social no qual poderemos viver vidas produtivas e criativas, e fazemos isso, sem pôr em risco as chances de que aqueles que se seguirão a nós serão capazes de fazer o mesmo” Skinner, B. F. (1978)

    É isso…

    beijo

  2. Marcela, que isso, esse textinho meu vagabundo…

    Bela citação, a idéia é essa ai mesma.

    Do mesmo modo que a tecnologia avança, a miséria humana aumenta, o que me deixa mais assustado. É claro que muita coisa mudou pra melhor, vivemos até mais por causa dela, mas ela afasta cada vez mais os já excluídos. Culpa de governos corruptos? Também, que não leva esse desenvolvimento para todos, mas a tecnologia está na mão capitalista, e muitos cientistas, engenheiros trabalham para ela, quem não tem dinheiro não compartilha, simples.
    Se fosse apenas a tecnologia de entretenimento tudo bem, mas são todas. As pessoas não comem porque não tem dinheiro pra comprar, ou condições para isso, imagine para outras coisas.

    Já que você tocou no celular… todo mundo vivia sem celular até 10 anos atrás, hoje é quase obrigatório, não precisavamos de comunicação móvel, até que algum “genio”(s) achou que sim e seria uma boa (para ele e sua empresa capitalista também) então começou mais um avanço, desnecessário até então.

    Toda essa comunicação ainda não mata a fome, a não ser que você peça alguma coisa pelo site do chinainbox, habibs… (piadinha sem graça)

    Ainda está pra surgir alguma coisa que seja realmente útil para o ser humano e para sua vida e principalmente, que não tenha que pagar tanto pra isso.
    (não, não estou falando de software open-source cambada)

    De qualquer forma, um avanço acaba levando à outros e outros.

    Beijo!

  3. uai… o que aconteceu com o post sobre second life?

    rs

    Gostei muito da tua resposta ao meu comentário

    beijo

  4. haha você viu? resolvi tirar pra não encher com algum fanático por aqui.

    obrigado pelo ótimo comentário

    Aproveito e faço uma complementação (darei um de sociólogo agora)

    Tudo é uma questão sócio-econômica, tudo tem seu custo de produção, precisa de capital de giro etc ainda mais de empresas que dominam as principais tecnologias hoje, mas enquanto esse “modus operandi” da sociedade moderna não encontrar outra forma de lidar com isso, o acesso à tecnologia será restrito.

    Toda essa tecnologia da informação, essa tendência wireless, tudo isso está trazendo muitos beneficios, está tendo um papel importante no desenvolvimento humano, e tem gente trabalhando pra isso. Quando Santos Dumont desenvolveu o avião, ele imaginou que um dia seria usado para destruir? Esse é o problema de toda a tecnologia, ela também será usada pra isso.

    (a última parte é pra não dizer que não gosto de meus amigos da área de tecnologia)

  5. Ricardo, acho que você ia gostar de conhecer o “velhinho” Skinner. No começo do livro “Ciência e comportamento humano” ele fala dessas coisas, dos riscos da ciência, e por que ela está assim… é muito interessante… eu já li um monte de vezes esse trecho do livro.

    Vou até deixar uma outra frase dele que tenho aqui no computador, mas é de outro livro:

    “Antes de construirmos um mundo em que todos possamos viver bem, precisamos parar de construir um no qual será totalmente impossível viver. Essa questão é integralmente um problema de comportamento humano. Como induzir pessoas a não consumir mais do que necessitam, como impedi-las de poluir desnecessariamente o ambiente, como fazer com que tenham apenas filhos suficientes para subistituí-las e como resolver problemas internacionais sem o risco de uma guerra nuclear? As contingências sob as quais as pessoas vivem são mantidas pelos governos, religiões e empreendimentos econômicos, mas tais instituições, por sua vez, são controladas por conseqüências excessivamente imediatas, as quais são cada vez mais incompatíveis com o futuro do mundo. Necessitamos construir conseqüências relativamente imediatas para o comportamento humano, as quais devem atuar como atuariam conseqüências mais remotas se estivessem disponíveis aqui, hoje. Isso não será fácil, mas ao menos poderemos dizer que dispomos de uma ciência e de uma tecnologia que atendem aos nosos problemas básicos.” (Skinnner, 1989, Questões Recentes na Análise Comportamental, 116).

    Talvez não fique muito claro, mas eu acho que a frase casa perfeitamente com o seu re-comentário.

    um abraço

  6. Marcela, já virei seu fã!

    valeu pela dica do livro!


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